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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O 20 de Setembro

Ontem pela manhã, passando por Passo Fundo, vi uma grande movimentação de peões e prendas, montados a cavalo, participando de uma grandiosa festa gauchesca em comemoração ao Dia do Gaúcho, data máxima do Rio Grande do Sul. Mais tarde, no Jornal do Almoço, mais homenagens por todo o Estado.



Mas, está questão envolvendo o Dia do Gaúcho e a Guerra dos Farrapos, é mais uma daquelas histórias que a gente aprende, mas que por ser uma tradição se mantém e se respeita, exatamente por fazer parte da nossa cultura, mesmo que não seja de toda verdade.



Quando na Escola, nós gaúchos aprendemos que a Revolução Farroupilha (1835-1845) se deu porque o governo imperial prejudicava política e economicamente o Rio Grande do Sul, e que nossa gente pegou em armas para fazer valer o seu direito e também para ser respeitada. Ai, depois de 10 anos de luta, com quase 40 mil mortos dos dois lados, foi assinado o Tratado de Ponche Verde que pôs fim a uma guerra cruel e violenta que deixou marcas em farrapos e imperiais. A gauchada foi derrotada e a grande maioria do que pediu à coroa não foi atendida, o que tem dado discussão até hoje. Na verdade, os gaúchos além de perder a guerra, foram enganados pelo império.



Em resumo, o Rio Grande do Sul perdeu uma guerra que seria impossível vencer dadas as forças de cada lado, e não teve atendido o que pediu. Assim, quando comemoramos o orgulho de ser gaúcho, comemoramos apenas a nossa coragem de lutar e de exigir direito, respeito e liberdade, como sempre fizemos, o que é uma verdade porque as barbaridades que se vê de Santa Catarina para cima, aqui no Rio Grande do Sul não acontecem. Aliás, coisa ruim e porcaria não se criam nas terras aqui debaixo.



Nessa história toda, de bom mesmo, ficaram a bandeira do Estado, que tem uma tarja vermelha no meio do verde e do amarelo indicando nossa inconformidade contra as injustiças praticadas contra nós e a nossa força implementada com sangue por nossos direitos; o Hino Riograndense que nos incendeia quando entoado em qualquer lugar, aqui ou fora daqui; e o orgulho de ser gaúcho, uma marca que só nós do extremo sul temos e que carregamos e que está impregnada em nosso DNA. Nenhum outro povo tem orgulho do seu chão como o gaúcho. Pergunte a quem mora fora do Estado há vários anos.



Mas, o que mais me entristece em ser gaúcho é que, com todos estes desmandos que acontecem no País, o Rio Grande do Sul não protesta e fica alheio a tudo, como se não fosse com ele, assim como faz a maioria dos brasileiros. Isso não é correto e não faz parte de nossa formação nem de nossa conduta. Não precisamos pegar em armas novamente, mas deveríamos mostrar, pelo menos, a nossa indignação com as coisas erradas que estão acontecendo no Brasil, porque gaúcho que é gaúcho não aceita a corrupção e a impunidade. Gaúcho que é gaúcho protesta e mostra a sua inconformidade, como fizeram os farrapos, que perderam a guerra, mas deixaram bem claro o seu recado e prova disso é que, independente do tamanho da população na época e das distâncias a serem percorridas, para esta guerra durar 10 anos não foi vencida de barbada, como diz este mesmo gaúcho.



Resumindo: peleia é peleia e se ganha ou se perde. É da guerra, do jogo, mas não se entrega sem lutar. E ser gaúcho é isso: é protestar e se fazer ser ouvido.


Postado por Sarico as 19:59 e tem 5 comentarios
5 Comments:
Anonymous Anônimo disse...

isso aí sarico tens que explicar mesmo o que realmente;o significado do 20 de setembro.. porque a maioria nem sabe o que realmente estao fazendo.um povo que não conhece sua história está condenado a viver sem fazer história...indicaçao para próxima feira do livro eduardo bueno escritor gaúcho que deve ter um custo baixo grande historiador..

22 de setembro de 2011 08:19  
Anonymous Anônimo disse...

Baita texto, Sarico. É bem isso ai. Parabéns!

22 de setembro de 2011 09:43  
Anonymous Anônimo disse...

Se perdendo a guerra, fizemos tanta festa, imagine se tivéssemos ganho...

22 de setembro de 2011 13:03  
Anonymous Anônimo disse...

Perdemos a Guerra, mas não perdemos a nossa Honra de nos vendermos por míseros trocados como os Nordestinos, que depois não receberam do governo e foram formando as favelas do Rio de Janeiro (Nossa primeira capital)!!!

Wikipédia abaixo...
A origem do termo em português brasileiro favela surge no episódio histórico conhecido por Guerra de Canudos. A cidadela de Canudos foi construída junto a alguns morros, entre eles o Morro da Favela, assim batizado em virtude da planta Cnidoscolus quercifolius (popularmente chamada de favela) que encobria a região. Alguns dos soldados que foram para a guerra, ao regressarem ao Rio de Janeiro em 1897, deixaram de receber o soldo, instalando-se em construções provisórias erigidas sobre o Morro da Providência. O local passou então a ser designado popularmente Morro da Favela, em referência à "favela" original. O nome favela ficou conhecido e na década de 1920, as habitações improvisadas, sem infraestrutura, que ocupavam os morros passaram a ser chamadas de favelas.[10]

22 de setembro de 2011 15:41  
Anonymous Anônimo disse...

Sugiro ao 15:41 que leia "Guerra do Fim do Mundo", do Vargas Llosa, para se informar do heroísmo e da valentia dos "nordestinos"de Canudos. Era uma guerra do canhão contra o facão, e mesmo assim foram preciso quatro regimentos do Exército Brasileiro para dominá-los, em quatro investidas diferentes, e não fosse a miséria, a fome e a falta de munição, estariam lutando até agora.
Portanto, sem nunca menosprezar os gaúchos, é uma injustiça muito grande esta comparação de venda por míseros trocados.

23 de setembro de 2011 16:36  

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