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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
O fim dos professores

O ano é 2.209 D.C. – ou seja, daqui a 200 anos – e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:
- Vovô, por que o mundo está acabando?
A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:
- Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.
- Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?
O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.
- Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?
- Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.
- E como foi que eles desapareceram, vovô?
- Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.
Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. O professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.
Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. “Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.
Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Desconheço a autoria

Postado por Sarico as 08:43 e tem 6 comentarios
6 Comments:
Anonymous Anônimo disse...

Adorei o texto,Sarico,pena que muito poucas pessoas,as que mais precisam ,não o leem,ou se lerem acham besteira...Ele faz refletir tudo o que foi e será um PROFESSOR...

23 de novembro de 2011 13:02  
Anonymous Anônimo disse...

muito triste isso, pior que é bem assim. vamos refletir sobre isso.

23 de novembro de 2011 14:25  
Anonymous Anônimo disse...

Concordo Sarico com o texto.
Sou marido de professora e fico impressionado com oque acabo vendo nos trabalhos dos alunos e oque ouço de minha esposa.
Os professores tem lá seus defeitos também, são seres humanos normais.
,Amo minha esposa por tudo oque ela faz pelos seus alunos, pois sei que é o mesmo que ela faz por meus filhos, e também pela bela e digna profissão que ela escolheu, que antes de uma profissão, ser professor é uma grande missão.

23 de novembro de 2011 19:20  
Anonymous Anônimo disse...

linda mensagem Sarico!!!!! sou professora e fico feliz com uma simples mensagem, mas que tocou meu coração! muitas vezes tocamos os corações de muitos alunos e vibramos de felicidade! que bom saber que alguém, em meio tantos que desvalorizam nossa classe lembra de de nós! um abraço e que Deus te proteja!!!!

23 de novembro de 2011 22:09  
Anonymous Anônimo disse...

Arrasou Sarico!!!!que bom ver um texto valorizando quem, além de ensinar, muitas vezes precisa educar!!!

24 de novembro de 2011 00:38  
Anonymous Anônimo disse...

V aleu Sarico.
Eu já conhecia o texto mas cada vez que o vejo o leio integralmente e me emociono.
Cada dia mais o professor é desvalorizado.E o dia em que eles acabrão es~tá próximo. Um beijo no teu coraçao por publicares esta bela mensagem.

26 de novembro de 2011 12:32  

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