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quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Uma justa homenagem

A última edição do jornal Integração das Cidades publicou matéria sobre uma homenagem que o sargento PM Sidnei Barbosa de Souza recebeu em Soledade. A homenagem foi justa, mas lendo-a lembrei de uma passagem que vivi ao lado do então soldado Barbosa aqui em Tapera, nos anos 90.

Não lembro ao certo a data, mas o ano era 1991. Cedo da manhã, eu vinha de Selbach, onde residia, para trabalhar na Rádio Gazeta, atual Cultura e, próximo ao silo da antiga OHF, atual Rações Extra, fui parado por dois PMs de fora. Parei o Gol branco da emissora, que era sua unidade móvel, me identifiquei e, pedi o que estava acontecendo. O soldado que me parou, de Victor Graeff, me contou que havia uma força tarefa das três policiais – militar, civil e rodoviária – da região na caça a uma quadrilha de assaltantes de bancos que parou em Tapera, na madrugada, para roubar um carro e seguir sua fuga. Os homens, fortemente armados e altamente perigosos, entraram na cidade pela Rua Vicente Basso e pararam em uma casa no Bairro Progresso, tentando roubar o carro que estava no pátio. Alguém, vendo a movimentação, chamou a polícia que veio e houve troca de tiros. Os elementos fugiram a pé pela mesma rua, passaram pela ERS 223 e entraram no pátio da antiga OHF indo em direção à Vila Raspa. Lá eles entraram em uma lavoura e no mato existente próximo tentando fugir da polícia que chegava aos poucos de todos os lugares. Naquela manhã havia uns 50 policiais em Tapera.

Querendo matéria para o programa diário de notícias que era apresentado pelo Egon Elias Zir, recentemente falecido, fui para a Vila Raspa e, chegando lá, fui apresentado aos comandantes da operação: um delegado de polícia e um tenente PM, ambos de fora. Naquele tempo as viaturas não possuíam comunicação entre si – rádio – e celular ninguém sabia o que era. Então, alguém teve a idéia de utilizar a unidade móvel da emissora para a comunicação entre as viaturas espalhadas pela região. E lá ia eu, de Gol, de um canto para o outro cheio de informações. Do carro eu as passava ao Egon, na rádio, e para os policiais que estavam na operação. Naquele dia a comunidade taperense e regional acompanhou uma operação policial, ao vivo. Isso tudo há 20 anos. Hoje em dia isso é normal.

Na metade da tarde os policiais prenderam três dos quatro bandidos, inclusive o líder que era famoso e que seguidamente aparecia na imprensa estadual por conta de suas ações ousadas. No final da tarde estive na DP para ver os homens, buscar mais informações e ajudar na identificação dos bandidos. Passando em frente à cela, ouvi os três homens conversando e chamou minha atenção as palavras usadas por eles. Tudo em código. Consegui conversar com eles por alguns instantes e o líder se mostrou uma pessoa bastante esclarecida.

O mais alto deles tinha uma ficha que não era extensa, mas havia nela, no mínimo 10 mortes em vários assaltos a bancos e a carros fortes. Ele não parecia ser quem era. Se alguém o visse na rua conversaria tranquilamente com ele.

No outro dia, tive de ir ao Fórum para reconhecer os elementos na frente do juiz. Entrei lá, vi os mesmos, identifiquei-os, respondi algumas perguntas do magistrado e fui liberado.

Depois os caras foram levados a Porto Alegre e apareceram em Tapera mais uma ou duas vezes para prestar depoimento e não se ouviu mais falar neles.

Mas, duas coisas me chamaram atenção naquele dia. A primeira diz respeito ao inspetor Nelson Edi da Silva, que se aposentou na Polícia Civil. Durante perseguição aos bandidos, nos fundos da hoje Comercial Bortolan, um dos três homens se escondeu em uma valeta cheia de folhas de bananeira e lixo, levados pela água. Ele entrou nela e se cobriu com o que havia lá dentro. Na Delegacia, o bandido baixinho me contou que estava com o inspetor Nelson na mira de sua pistola e que ele ficou nela por mais de um minuto. Pedi a ele porque não atirou e ele me respondeu que o inspetor estava com dois ou três soldados armados com fuzil e metralhadora. “Sou bandido, mas não sou burro”, me disse o homem com um sorriso de dar medo. Mais tarde contei o fato ao Nelson que me disse. “É, são ossos do ofício. Veja o que a gente passa em nosso trabalho”.

A outra tem a ver com o agora sargento Barbosa. Inteligente, valente e consciente, ele saiu em perseguição a um dos elementos, acompanhado por um grupo de soldados. Durante a perseguição o bandido se virou e começou a atirar contra os PMs que estavam com o Sidnei. Quando ele viu aquilo, tentando ajudar os companheiros, efetuou quatro disparos contra o bandido e todos os quatro negaram. O homem se virou, mirou o Sidnei e atirou contra ele. A bala passou raspando sua cabeça. Depois de tudo, o Sidnei me disse que nunca mais esquecerá aquela cena. Mais tarde, quando baixou a poeira, era uma indignação só dos policiais que estavam mal armados, com pouca munição e a maioria falhando, sem efetivo e não havia equipamento de comunicação. Mas, o gritante foram os disparos dados e falhados. Teve outros disparos falhados. Os quatro homens tinham mais munição do que todos os 50 policiais juntos. Vi isso com o armamento que estava sobre uma mesa na DP taperense.

Lembro que estive no estúdio da Gazeta, falando com o Egon, e relatei tudo isso, inclusive os tiros do PM Sidnei que falharam. Recebemos vários telefonemas naquela manhã de pessoas pedindo informações, dando sugestões e até mesmo criticando. Mais tarde fiquei sabendo que o Estado queria cobrar as balas disparadas pelos PMs naquela operação. Até hoje não sei se isso de fato aconteceu.

Mas, o Sidnei e o Nelson estão ai para confirmar a história. São dois policiais que honraram suas corporações colocando suas vidas em perigo. Fui testemunha disso e se eles estão vivos hoje é porque Deus tinha outros planos para eles. E aproveito aqui para parabenizá-los pelo belo trabalho executado em prol de Tapera e de seus cidadãos na sua atividade.

Por outro lado, o sargento Sidnei está fazendo um bonito trabalho com a Polícia Mirim aqui em Tapera. Aproveitando o gancho quero dizer a ele que fui, nos anos 70, um integrante da Polícia Mirim de Tapera. Tenho inclusive foto do grande grupo, fardado, tirada na Praça Central, com o então prefeito Isidoro Gregório Simon. Mas, isso é outro assunto para outra oportunidade.

E a titulo de informação. Sempre fui um parceiro das três forças policiais de Tapera apoiando todas as campanhas realizadas por elas e pela comunidade, tanto na rádio como nos jornais em que trabalhei. Sempre fui um amigo das policias e dos policiais. Perdi a conta de quantas lutas por melhoria de salários ajudei, assim como as campanhas para aquisição de equipamentos de trabalho e de materiais para as viaturas e de expediente para as guarnições e delegacia. Os sargentos Sidnei, Melo e Primaz e o inspetor Nelson, todos da velha guarda, estão ai vivos para confirmar isso. Um grande abraço a eles. E parabéns pelo seu trabalho em favor da segurança dos taperenses.

Postado por Sarico as 08:12 e tem 15 comentarios
15 Comments:
Anonymous Anônimo disse...

Parabéns pelo texto. Finalmente vemos alguma coisa que não sejam notícias falaciosas, insinuações veladas ou perguntas com respostas óbvias ou estúpidas. Estamos progredindo.
Tua história é limpa, pertinente, nos diz respeito, particulariza um episódio, é bem narrada e principalmente, é muito interessante. Guardei nos meus arquivos. Continue assim.

16 de novembro de 2011 09:15  
Anonymous Anônimo disse...

Esse cara ai de cima não te conhece gordo. Não te mixa. Tu é dos nosso. Abraço e parabéns. (DPC)

16 de novembro de 2011 09:48  
Anonymous fabio rizzi disse...

ótimo trabalho do sargento barbosa ,o comprometimento com o bem comum é sempre valido e louvavél ,parabéns

16 de novembro de 2011 10:25  
Anonymous Anônimo disse...

Poxa que história essa, hein?

16 de novembro de 2011 11:00  
Anonymous Anônimo disse...

Estamos progredindo...

Continue assim...

Cara, vá morar em Plutão, pois você está deslocado.

16 de novembro de 2011 12:18  
Blogger XANDENEGRÃO disse...

Sempre prestativo,bom policial,bom cidadão,mostrando sempre que dentro da BM,tem muita gente boa e correta e disposta a servir a sua comunidade,que é um dos pilares da BM!!!!!!!!Sucesso,

16 de novembro de 2011 16:50  
Anonymous Anônimo disse...

O BARBOSA é O CARA!!!!

16 de novembro de 2011 17:35  
Anonymous Anônimo disse...

parabéns aos políciais que são honestos, apesar do salário injusto.

17 de novembro de 2011 08:32  
Anonymous Anônimo disse...

O Barbosa sempre foi uma pessoa do bem e um profissional muito correto.
É um exemplo na brigada militar e temos que homenagear esses exemplos enquanto estão vivos.
Parabéns pela iniciativa, o Barbosa merece!

17 de novembro de 2011 09:15  
Anonymous Anônimo disse...

Chega a ser VERGONHOSO o que ganham os POLICIAIS e os PROFESSORES.
Pensem, se eles ganhassem mais, seríamos um país RICO, CULTO e MUITO MAIS SEGURO! (Não falando de Tapera, pois em Tapera estamos bem representados em tudo isso!)

17 de novembro de 2011 10:52  
Anonymous Anônimo disse...

TB QUERO PRESTAR MINHA SINCERA HOMENAGEO AO BARBOSA,HOMEM CORRETO,HONESTO E TRABALHADORSEMPRE PENSANDO NO BEM ESTAR DE NOSSOS MUNÍCIPES....PARABÉNS ,BARBOSA....TU MERECE...

17 de novembro de 2011 14:22  
Anonymous Luciano Erpen - Tato. disse...

Valeu sarico, por lembrar tambem de um otimo profissional, seu Nelson, Comissário de Policia aposentado. Convivi 13 anos com ele e lembro-me até hoje quando estagiava na Delegacia de Policia com ele, passavamos 24 hrs juntos, pois tive a felicidade de ser genro dele. Lembro-me de uma situação em que houve uma apreensão de um senhor de Espumoso na época por estelionato e ofereceu propina ao Comissário, ocasião em que além de ser indiciado pelo estelionato foi tambem indiciado por suborno e outras artiogos mais. Hoje pelo que sei seu Nelson aposentou-se sem ter uma casa ou veiculo de sua propiedade tamanho era a honestidade dele. Que sei reside hj em Marau em companhia de sua familia e muiti debilitado. Parabens seu Nelson. Luciano Erpen
Balsas-MA.

18 de novembro de 2011 09:06  
Anonymous Anônimo disse...

Esta Homenagem ao Sargento Barbosa deveria ter sido prestada aqui em Tapera, pelos seus serviços prestado com muinto profissionalismo e agora frente a Brigada Mirim?

18 de novembro de 2011 21:36  
Anonymous Anônimo disse...

também concordo com a homenagem ao sargento barbosa. realmente um policial honesto.

PASETTI

19 de novembro de 2011 22:27  
Anonymous Anônimo disse...

linda historia, que bom saber que existe pessoas assim,que DEUS continue iluminando o trabalho do sargento barbosa, e que outras pesoas sigam seu exenplo. meus Parabens.

20 de novembro de 2011 21:08  

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