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quarta-feira, 11 de abril de 2012
Reminiscências

O taperense Nadir Natal Crestani, que reside há muitos anos em Porto Alegre, se mantém ligado em Tapera lendo os blogs, conversando com os amigos pela internet e ainda vindo para cá de vez em quando para matar as saudades. Ele sabe tudo sobre o que acontece aqui. E em nossas conversas também lembramos do passado da nossa terra querida. Nesta semana, o Nadir me surpreendeu com um texto que devo publicá-lo pelo seu conteúdo, porque boa parte do que ele escreveu eu vi, vivi e convivi. Quem tem mais de 50 anos e respirou o ar daqui vai entender:

“Tenho saudade.
Dizem que recordar é viver e, para lembrares do passado, seguem essas reminiscências que vem e vão nas longas reflexões a que me entrego.
Ponha no papel aquilo que recordas e me envie para matar a saudade.
Abraços.

Antigamente a turma tomava banho no "MONTE", buscava água na "FONTE DOS BAGGIO", pescava lambari na "PONTE DA ZOBEIDE", buscava ariticum no "MATO DO SEMINÁRIO",tomava banho na "RUA AZUL", pescava traíra na "LAGOA DOS BATISTELLA", ia comer pitanga no "POTREIRO DOS CORAZZA".
Os maiores ariticuns estavam sempre no pé em frente a casa do Avelino Wurzius e ele não deixava apanhá-los. Outro pé de ariticum famoso era o que ficava ao lado da "SAPATARIA DOS PILLAR". A gente tomava banho no "AÇUDE DOS SODER", caçava passarinho no "MATO DO FICAGNA" e no "MATO DOS BATISTELLA", caçava rã no "BANHADO ATRÁS DO PAVILHÃO" e pescava no "RIO TAPERA". Pescar no "RIO COLORADO" (6 km) só indo de caminhão pois era "muuuuuito" longe.
Nunca se pode esquecer a carrocinha tocada pelo saudoso "LUIZINHO" e puxada pelo "LUBUNO", das voltas que se dava, em pelo, no "BAITO" quando se ia lá no "MATADOR" na casa do seu Paulino Simon. Lá, sob a orientação do "LUIZINHO" se ajudava puxar o laço que direcionava o boi para o palanque aonde seria morto. Se ajudava limpar o bucho e lavar o matador para fazer jus ao churrasquinho que o LUIZINHO fazia.
Dentre as figuras que não podem ser esquecidas está a "CASA DA MARIA GRACI", sempre cheia de pombas e galinhas, o "PEDRO BORTOLINI" com seu cachimbo de taquara e o "CHICO LOCO".
No verão lembro dos banhos no "RAUBER" (Rio JacuÍ) e no "RIO BUTIÁ" na propriedade do seu "KAUFMANN".
Antigamente os ciganos acamparam no "piquete" do papai (onde hoje está a casa e o prédio do Décio Wagner e do Adacir Martinelli. Ficaram acampados mais de três anos. Lembro da chefona "DONA MARIA" e os três meninos nossos amigos chamados de "MACACHILA", "SOSCALEA" e "JAQUIRI". Quando a Dona Maria chamava pelos três e dizia "ALI ORDI" os mesmos voltavam para a barraca em disparada. A vizinhança toda ficou amiga deles e quando a Dona Maria fazia festa todos eram convidados. Teve festa de batizado e de casamento. Os ciganos tinham como principal atividade fazer tacho de cobre e em Tapera ninguém ficou sem comprar os tachos que até hoje ainda existem alguns.
Naqueles tempos tinha a "ZOBEIDE" que lavava ternos de linho, o seu "VIRGILIO ANNONI" que arrumava guarda-chuvas e o "JOANIM POLETTO" que arrumava todo e qualquer tipo de máquina ou arma.
Não dá para esquecer os avisos do LUIZINHO quando vinham as tropas de gado para o matador: "FECHEM OS PORTÕES QUE O GADO É BRABO". Tinha o Velho BAGGIO, todos os dias, levando as vacas leiteiras para o potreiro "TOCA, TOCA, VACA". Tinha também os ônibus do OSCAR (Selbach-Carazinho), do ROCHEMBACH (Espumoso-Carazinho) e do SOLON (Soledade-Tapera).
Tinha as fotografias do TENO BEUX, a gasosa do KEMPF. Tinha as chuteiras feitas pelo ARNOLFO e pelo LINO PILLAR: chuteiras de BICO DURO para quem era da defesa e de BICO MOLE para os atacantes.
Tinha as irmãs do Colégio: Madre SAVÉRIA GARBARI, Irmã BERNARDETTE GHISLENI, Irmã MARIA JOSEFINA, Irmã MARIA MADALENA. Tinha as aulas de latim da MADRE SAVERIA para a gente poder "SERVIR MISSA". Tinha as Professoras do Grupo: DÉA MOMBELLI e JACINTA.
Nos anos 50 e 51 tínhamos o compromisso de ir na construção do Pré-Seminário ajudar a carregar tijolos e dar água para as mudas do pomar
E como era bom viver”.

Postado por Sarico as 10:08 e tem 22 comentarios
22 Comments:
Anonymous Anônimo disse...

Não sou dessa época, mas tenho certeza que se vivia bem melhor e com prazer. O que os jovens fazem hoje?

11 de abril de 2012 10:57  
Anonymous Anônimo disse...

Belo texto; ótimo! Mas os tempos mudaram meu povo! Hoje se tem o Ipad... avanços tecnológicos, etc...

O que passou, passou!

Fica na lembrança.

Devemos viver o hoje. Se foi o tempo do "eslaque"!

Devemos nos adaptar ás mudanças!

11 de abril de 2012 11:09  
Anonymous Anônimo disse...

lindo o texto. Também não sou da época, mas posso imaginar como era muito melhor que hoje. Quero lembrar que a felicidade não está somente nos avanços tecnológicos, pode estar nas coisas mais simples da vida.

11 de abril de 2012 11:25  
Anonymous vldahmer@gmail.com disse...

parabéns Nadir pelo texto pois me fez lembrar da minhas origens pois meu pai e tios são desta época e voce Nadir deve lembrar deles Adão Dahmer Aluizio Dahmer João Dahmer pois eles são da sua época e e voce os conhecia eu conheci bem voce quando voce trabalhava na prefeitura de tapera sou Valdir Dahmer. que saudades.

11 de abril de 2012 12:39  
Anonymous Anônimo disse...

Adorei o texto,Sarico,mas ainda faltam muitos "ajustes"forravamos botões na Osmilda,e enquanto isso,brincavamos no seu salão de beleza,comprávamos sorvete na jarra,lá no café ou no Ciprandi,mas só nos domingos,depois da cesta do pai e da mãe...ahhhhse formos lembrar de tudo daria um livroMARAVILHOSO para nossos filhoe e netos lerem(isso se tiverem tempo) abraços...

11 de abril de 2012 12:42  
Anonymous Anônimo disse...

E qdo tomávamos banho de chuva,entrávamos nas poças de barro,era o máximo,o minimo qdo chegasse em casa era tomar UMA TUNDA DE LAÇO...tempos bons aqueles...

11 de abril de 2012 13:15  
Anonymous Anônimo disse...

Hoje a juventude só faz sexo...
Que falta de criatividade!

11 de abril de 2012 14:54  
Anonymous Anônimo disse...

a tecnologia é ótima, sem dúvida, temos que evoluir, inovar, agilizar. Mas não há como negar a delícia desses tempos nem tanto remotos: personagens da vida real, brincadeiras de rua, amigos de verdade, dinheiro de papel, cartão de natal pelo correio, namoro no portão, ladrão de galinha, fruta da estação, lápis e borracha, beleza natural e de cara lavada, pedir e dedicar música na rádio, revelar fotos..etc. hoje somos um login, uma senha, um avatar, um perfil e contamos nossas histórias através de resumidos scraps!

11 de abril de 2012 15:48  
Anonymous Anônimo disse...

e o cine avenida, namorar no escurinho, só pegando na mão, e no "dia do troco", que era mais barato.

11 de abril de 2012 18:22  
Anonymous Anônimo disse...

Não sou deste tempo NADIR pouco conheço o senhor lembro do vini seu filho..fomos conteporaneos ..estou com 37 anos agora...SÓ TEM FUTURO QUEM VALORIZA O PASSADO,,me agrada ver escritas estas lembranças..tudo bem que o tempo passou o mundo mudou ...mas A ESSENCIAL DEVIA SER A MESMA...OS VALORES TAMBÉM...oque nos faz bem são as coisas simples..coisas do dia dia ..da inocencia de um mundo diferente do nosso , por isso que valorizo estas palavras SIMPLES mas que dizem muita coisa...VAMOS LER NAS ENTRELINHAS .......parabéns NADIR relembrar é viver,tomará que quando eu tiver vivido o tempo que o senhor viveu ,viu tantas coisas eu tenha a sensibilidade de escrever algo que vivi e que me tenha marcado..TAPERA AINDA ESTA AQUI não como o senhor descreveu...mas vou passar pelos lugares que o senhor descreveu belos lugares ..para ver se não sinto esta coisa tão bonita que motivou o senhor escrever este belo testo,,,,, SARICO QUERIA QUE SEU NADIR SOUBESSE QUE OQUE ELE ESCREVEU .TEVE IMPORTANCIA SIM PARA TAPERA PELO MENOS PARA MIM

11 de abril de 2012 20:35  
Anonymous Anônimo disse...

OQUE VALE SÃO AS COISAS SIMPLES PARABÉNS NADIR...NOS ESCONDEMOS NA MODERNIDADE PORQUE NÃO SABEMOS MAIS QUEM SOMOS..........COM 25 ANOS JÁ VIVEMOS TUDO E AINDA NÃO SABEMOS VIVER....

11 de abril de 2012 20:39  
Anonymous Anônimo disse...

Jogavamos CAÇADOR na rua,PULAVAMOS CORDA NO MEIO DA RUA,SEM CALÇAMENTO, CALÇAMENTO ERA SÓ NA AVENIDA... Comiamos caquis do pé do Sr Joanim Crestani escondido pq se ele visse ,noooosa...se foi o tempo dos guids nos pés...

11 de abril de 2012 22:15  
Anonymous Eva Potrick disse...

Que legal, Nadir, se lembrar de tudo isso. Algumas coisas eu me lembro, e das outras vou me informar. Você não tem fotos?
Tem horas que me sinto saudosista, mas acho que sou mais "saudávelista", pois lembrar e contar estes fatos só me faz bem.

12 de abril de 2012 10:47  
Anonymous Anônimo disse...

Nadir parabens pelo texto pois quem não vive de lembranças , vivemos na modernidade, ou melhor não vivemos apenas passamos pois hoje somos apenas mais um fico trite com nossos jovens pois eles pouco tem a contar, pois muitos de nosos juvens taperesnse nem mesmo onhece a nossa cidade pois estãi afixionados pelo computador m notbook, netbook, tablets e assim vai são seres digitais que perderam o contato humano ou melhor a essencia da vida

12 de abril de 2012 13:08  
Anonymous Anônimo disse...

è Nadir la se foi o tempo do eslaque, do corpinho,do kichute dos guides, do suspensório, das pastas para material escolar dos saquinhos da copersucar, das bolitas , dos campinhos em terrenos baldios que saudades

12 de abril de 2012 13:10  
Anonymous Anônimo disse...

Muito bom o texto....não sou desta época, mas faz-me lembrar os anos 80 e 90, qdo eu era criança...sem comparação aos dias de hoje....o engraçado era quando jagavámos bola na rua, tirava uma tampa do dedão, passava o mercúrio e ja estava jogando denovo!!!hhehhe, e ir buscar os restos de madeira no Boni pra construir a casa das bonecas....eita tempo bom.....e agora é só net, play...etc

12 de abril de 2012 14:43  
Anonymous Anônimo disse...

E o MONTE no perto do Matador. Jogávamos bola. Desciamos o monte com restos de formica da fábrica do Hansen e Frederico.

12 de abril de 2012 17:21  
Anonymous Anônimo disse...

Interessante é cada um postar o que lembra. Vá que se monta um livro.

12 de abril de 2012 17:23  
Anonymous Anônimo disse...

Ariticum, isso ainda existe?? Na minha casa quando eu era menino tinha dois pés, mas depois foram cortados porque estavam muito velhos. No supermercardo aqui em Porto Alegre é caríssimo...

12 de abril de 2012 20:04  
Anonymous Anônimo disse...

Valeu as lembranças "grande professor Nadir"...
sou um pouco mais novo e fui seu aluno no Imaculada, ao ler o seu texto reproduzido neste blog, passou um filme, que infelizmente só fica na nossa memória, tempos que amizade era coisa séria, e que hoje restam muito poucas, onde cada um quer se dar melhor que o outro, sem avaliar as consequencias...
Abraços e muita saúde para todos nós.

12 de abril de 2012 23:28  
Anonymous Anônimo disse...

Nadir, desta tu não lembrou:

- "Número?", repetia a Terezinha Mânica, agora Schimiedt, ao telefone. Ao seu lado, Lilian Erpen repetia a palavra mágica, e enfiavam cabos e mais cabos em tomadas redondas, sobre uma mesa cheia de furos, conectando um telefone ao outro.
Na outra ponta, um aparelho negro, luzidio, tocava, chamando as pessoas para conversar.

Te lembra?

13 de abril de 2012 08:54  
Anonymous Enio Giotto disse...

Obrigado Nadir

A medida que lia o que voce descrevia de uma época passada, um filme de cores intensas se passava na minha memória, por ter vivido tambem tudo isso na minha infância e adolescência na nossa sempre amada a inesquecível terra, a pequena Tapera. Pequena como cidade, mas grande na sua história, a qual tivemos a felicidade de testemunhar em parte, o esforço e dedicação de inúmeras pessoas no seu desenvolvimento. E voce Nadir, foi uma dessas pessoas. Ser sempre Taperense é até hoje uma referência de vida para mim,em função de tudo o que aprendi nos meus anos de convivência e aprendizado neste chão, e com os amigos que ali ainda tenho , e também com os exemplos de cidadania desse povo ordeiro, trabalhador e de alto grau de religiosidade.
É claro que voce em poucas palavras, nao consegue apresentar de forma completa a nova geração, tudo o que era nossa vida em Tapera nos anos 50, 60, mas com certeza deu de forma clara a dimensão da felicidade em que nós crianças da época viviamos.
Vários comentários, de pessoas que por certo, no passado, conviveram e brincaram conosco, nas ruas poeirentas, nos banhados do centro da cidade, na nossa velha (e sempre bonita) praça, lembraram de outros fatos dessa época.
E nesse sentido colaboro com algumas lembranças:
Lembra dos jogos de Futebol com os Seminaristas e o Cônego Bento nas tardes de sábado, e após o festival de bergamotas, laranjas e ameixas? ( Do pomar que você ajudou a plantar)
Lembra dos coroinhas, as 6:00 hs da manhã , nas missas do Cônego Basso e do Padre Tenário.
Lembra dos grandes comícios do PTB, do PSD e da UDN (Partido do meu pai) em frente a Prefeitura Municipal.
Mais uma vez obrigado por proporcionar esse momento, não só de recordação, mas principalmente de reflexão, sobre aquilo que foi de fato importante em nossas vidas.
Um Grande Abraço
Enio Giotto

14 de abril de 2012 01:14  

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